Imposto seletivo para bebidas alcoólicas pode reduzir óbitos e adoecimentos, defende Ministério da Saúde

Ministério da Saúde publicou uma nota em que apoia a implementação do imposto seletivo para bebidas alcoólicas no Brasil como uma “importante medida para redução de óbitos e adoecimentos”. A taxação foi incluída no projeto de regulamentação da Reforma Tributária aprovado no Congresso Nacional neste mês. O texto segue para sanção presidencial.

Segundo a pasta, “o consumo de bebidas alcoólicas é fator de risco para um amplo conjunto de doenças e agravos”, por isso devem ser incluídas no imposto criado para incidir sobre produtos nocivos à saúde ou ao meio ambiente. O ministério reforça que, assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS), orienta que não existe consumo seguro de álcool.

“O uso de álcool em qualquer quantidade pode gerar inúmeros danos à saúde, como câncer, acidentes de trânsito, violências interpessoais, transtornos mentais, doenças infecciosas, crônicas não transmissíveis, do fígado e do pâncreas, além de efeitos negativos no desenvolvimento da gestação”, diz.

Sobre o cenário nacional, afirma que, segundo dados de 2021, as bebidas foram responsáveis pela morte de cerca de 53 mil pessoas, 3% do total de óbitos registrados no país. No global, a OMS estima 2,6 milhões de fatalidades em 2019, ano mais recente sobre o qual se tem levantamento.

Além disso, o ministério cita números do Instituto Nacional de Câncer (INCA) que mostram que, em 2018, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 1,7 bilhão com os tratamentos de cânceres que têm associação com álcool. Estima-se que, a partir de 2040, serão gastos mais de 4,1 bilhões de reais anuais, um aumento de 139%.

“O uso, mesmo moderado, é responsável por importantes parcelas de mortes por cirrose hepática (48,5%), doenças cardiovasculares (20,13%), cânceres de esôfago (14,89%), de fígado (30,81%), da cavidade bucal (24,47%), de faringe (26,71%), além de pancreatite (15,6%)”, diz o ministério.

Além disso, a pasta afirma que “o álcool é o principal fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, que representam a maior causa de morte da população brasileira com 798 mil óbitos em 2022 – 51,7% de todas as mortes ocorridas no Brasil”.

O ministério cita ainda um estudo de 2015 que encontrou um aumento de 86% no risco de ideação suicida entre pessoas que sofrem com transtorno por uso de álcool e destaca o impacto da bebida nas mortes e lesões no trânsito: “a direção alcoolizada é fator de risco para 27% de todos os acidentes rodoviários e, nos casos de violência interpessoal, em 2022, 29,2% dos casos notificados envolveram consumo prévio de álcool pelo agressor”, diz.

Segundo a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, em 2023 44,6% da população adulta consumiu bebida alcoólica habitualmente. Entre adolescentes, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019 mostraram que a experimentação entre alunos do 9º ano do ensino fundamental aumentou de 52,7%, em 2012, para 63,2%.

Por isso, a pasta estabeleceu, em seu Plano de Enfrentamento às Doenças Crônicas não Transmissíveis e Agravos, a meta de reduzir em 10% o consumo episódico pesado de bebidas alcoólicas, até 2030.

Esse padrão é definido pela OMS como a ingestão de 60 g ou mais de álcool puro em uma única ocasião: cerca de 4 ou mais doses para mulheres e 5 ou mais para homens. Uma dose equivale a aproximadamente uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou um shot de destilado.

Fonte: O Globo

WhatsApp
Telegram
Facebook
X

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Educação

Notas do Enem 2025 já estão disponíveis na internet

As notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 já podem ser consultadas na Página do Participante, na internet. Os resultados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).  Segundo dados do balanço

Leia mais »
plugins premium WordPress