Com o avanço da longevidade no Brasil, a atenção à saúde da população idosa se torna cada vez mais necessária. A expectativa de vida no país alcançou 76,6 anos em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e, junto com esse aumento, cresce também a incidência de doenças silenciosas associadas ao envelhecimento — entre elas, a sarcopenia.
Caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular, a sarcopenia é mais comum após os 60 anos e pode provocar limitações de mobilidade, quedas frequentes e perda da independência funcional. Por evoluir de forma lenta e, muitas vezes, sem sintomas evidentes no início, a condição costuma ser diagnosticada apenas em estágios mais avançados.
De acordo com a enfermeira Júlia Godoy, especialista em Geriatria e Gerontologia, o acompanhamento próximo do idoso é fundamental para identificar sinais precoces da doença. “A presença de familiares ou cuidadores no dia a dia contribui para uma melhor gestão da condição. O acompanhamento contínuo evita que sintomas passem despercebidos e permite intervenções mais rápidas, como ajustes na alimentação ou na rotina de exercícios”, explica.
Causas múltiplas e impactos amplos
A sarcopenia é considerada uma condição multifatorial. Entre as principais causas estão o envelhecimento natural, o sedentarismo, doenças crônicas, deficiências nutricionais, processos inflamatórios e o uso prolongado ou excessivo de determinados medicamentos.
Os impactos da doença vão além da mobilidade reduzida. A perda muscular pode comprometer a saúde cardiovascular, o equilíbrio emocional e a capacidade do idoso de realizar atividades básicas do cotidiano, aumentando a dependência de terceiros e o risco de internações.
Prevenção e cuidados no dia a dia
A especialista em Geriatria e Gerontologia aponta que a prevenção e o controle da sarcopenia passam por medidas relativamente simples, mas que exigem regularidade. A prática de exercícios físicos, especialmente os de fortalecimento muscular, deve ser feita com orientação profissional. Júlia recomenda também hidratação adequada e a exposição moderada ao sol, essencial para a produção de vitamina D, também desempenham papel importante na saúde muscular.
Além disso, adaptações no ambiente doméstico ajudam a reduzir o risco de quedas — uma das principais consequências da condição. Retirar tapetes soltos, melhorar a iluminação dos ambientes, ajustar a altura de cadeiras e instalar barras de apoio são medidas que contribuem para a segurança e a autonomia do idoso.
“A observação de sinais como fraqueza, cansaço excessivo, perda de peso não intencional e dificuldade para se levantar da cadeira é essencial, pois esses são indicadores clássicos do avanço da sarcopenia”, alerta Júlia Godoy.
Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, especialistas reforçam que o cuidado com a saúde muscular deve fazer parte da rotina de atenção ao idoso, garantindo mais qualidade de vida e independência ao longo dos anos.
Fonte: Portal Diário da Manhã



