Engov, hidratação, comida: o que é bom para curar a ressaca?

Ressaca — Foto: Freepik

Ano-Novo é uma data recheada de celebrações, mas que pode carregar consigo excessos que trazem riscos à saúde, principalmente quando se fala em abuso de álcool. O que acontece muito é o beber pesado episódico, que é consumir muitas doses num curto período de tempo. No dia seguinte, o corpo cobra, e a famosa ressaca se manifesta com sintomas como dor de cabeça e enjoo. Mas afinal, o que realmente ajuda a curar a ressaca?

A ex-presidente Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban) Sueli Longo frisa a importância de manter o bom consumo de água, já que o álcool leva à desidratação do corpo, que é a causa de muitos sintomas, como as intensas dores de cabeça.

— Além disso, se tiver sido um consumo de bebida abusivo no dia anterior, o fígado acaba reclamando um pouco, então o ideal é buscar alimentos mais leves, que não exijam tanto do organismo, com frutas e legumes, também pode ajudar — diz.

A coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Mariana Thibes, lembra que não existe remédio milagroso para a ressaca. Alguns podem ser considerados, como analgésicos para lidar com as dores de cabeça e medicamentos específicos para controlar o enjoo. Mas não existe um único fármaco destinado aos efeitos da bebida.

— O que eles podem fazer é tratar os sintomas. O famoso engov tem um componente analgésico, então ele pode ajudar levemente com uma dor de cabeça, mas assim como qualquer outro analgésico terá o mesmo efeito. E também não funciona para evitar a ressaca tomando antes, a única forma de prevenir é não bebendo em excesso — afirma.

Outro mito relacionado à ressaca que é comum escutar é que misturar os tipos de álcool, como vinho com cerveja, potencializa o risco de sentir o mal-estar no dia seguinte. Porém, também não existe qualquer evidência de algo nesse sentido.

— O que causa a ressaca é o excesso do álcool, do etanol, que está na bebida. Independentemente da fonte dele. O que precisamos lembrar é que algumas bebidas têm doses diferentes de álcool, o que pode dificultar a contagem da quantidade de doses que estamos ingerindo. Se eu sei que uma cerveja tem uma dose, quando eu tomo um drinque posso não saber direito quantas doses têm ali, por isso ao misturar as bebidas a contagem fica mais difícil — explica Thibes.

Ela reforça ainda que, se a pessoa tem mais tolerância aos efeitos do álcool, ou seja, demora mais para se sentir embriagada e não costuma ter ressaca, isso não significa que o consumo tenha menos efeitos nocivos em seu corpo. Ela lembra também os riscos de curto prazo associados ao beber episódico:

— Temos os problemas de curto prazo, que afetam principalmente os mais jovens, como acidentes de transito, casos de violência, de a pessoa ficar agressiva, se arrepender de algo, maior risco de sexo desprotegido e contrair uma IST (infecção sexualmente transmissível). A médio e longo prazo, esse beber episódico também aumenta o risco de mais de 200 tipos de doenças no futuro, como as cardiovasculares e câncer, além do alcoolismo.

Fonte: O Globo

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