Direita reage à fantasia de ‘família em conserva’ em desfile que homenageou Lula: ‘Zombaria com evangélicos’

Desfile da Acadêmicos de Niterói com ala sobre família conservadora — Foto: Reprodução

Parlamentares de direita reagiram às fantasias utilizadas por uma ala da Acadêmicos de Niterói, no desfile deste domingo, que mostrou famílias conservadoras “dentro” de latas de conserva. A reação ocorre em meio à tentativa da oposição de judicializar o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suposta propaganda eleitoral antecipada, o que poderia torná-lo inelegível. Nas redes sociais, bolsonaristas criaram fotos de suas famílias, com auxílio de inteligência artificial, para ironizar a ala da escola de samba.

Denominada “neoconservadores em conserva”, a ala retratou um grupo que, conforme a Acadêmicos de Niterói, vota contra a maioria das pautas defendidas por Lula. As fantasias mostram um homem, uma mulher e duas crianças que retratam representantes do agronegócio, evangélicos e membros da direita, que “defendem pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas e valores tradicionais da família”.

Em reação, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o desfile expôs “a fé cristã ao escárnio” em nome da “cultura travestida de politicagem”. Ela também cobrou um posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados para rebater o desfile.

“Dizem que o país é laico, mas laicidade não autoriza zombaria e humilhação. O que foi apresentado era conhecido, foi permitido e feriu milhões de brasileiros”, escreveu Michelle.

Em seguida, o presidente da Frente Parlamentar dos evangélicos, deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), definiu a fantasia como “inadmissível”, alegou que o desfile tratou os conservadores como inimigos e, ainda, afirmou que tomará “as medidas cabíveis”.

— O que vimos ontem, uma escola de samba querendo ridicularizar, os mais de 70 milhões cristãos brasileiros, foi uma ofensa, um insulto, uma afronta. E, lamentavelmente, financiadas com dinheiro público — disse Nascimento.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por sua vez, insinuou que a esquerda “odeia a família conservadora”. O parlamentar mencionou as eleições de outubro deste ano para mencionar que os evangélicos devem se lembrar do desfile “na hora de votar”.

“A sua família é zombada, a sua fé é uma piada, mas nas eleições querem seu voto”, disse em outro post.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou que o carnaval “merece respeito”, mas criticou o que chamou de “ataque à fé de milhões de brasileiros”.

“Somos mais de 50 milhões de evangélicos, além de milhões de católicos e cristãos que trabalham, pagam impostos e sustentam suas famílias. Merecemos respeito, não deboche financiado pelo próprio governo”, publicou.

O senador Rogério Marinho, por sua vez, foi um dos que criou uma foto de sua família em uma lata de conserva para ironizar as fantasias. De acordo com ele, a postura da escola de samba evidencia a razão de Lula e o PT terem “perdido as ruas”.

“A esquerda zomba da família, alicerce do Brasil, e evidencia a perda da sintonia com o povo que trabalha, crê em Deus e educa seus filhos”, publicou Marinho.

Na mesma linha, o deputado federal Deltan Dellagnol (Novo-PR) escreveu que “podem até tentar transformar em piada, mas quem vive sabe o valor”. Ele alegou que a família “deve ser valorizada” e se “para alguns é fantasia, para outros é fundamento”.

Também com imagens produzidas por inteligência artificial, o perfil oficial do Partido Liberal (PL) publicou um vídeo de uma família conservadora “enlatada”, e escreveu que “família não é fantasia de carnaval e não se mistura com as alegorias de quem vive para desprezar o povo”.

“A esquerda resolveu zombar das famílias brasileiras, chamando de “enlatada” aquilo que sustenta milhões de lares: fé e princípios”, publicou a legenda.

Uma das primeiras a se manifestar foi a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), logo após o desfile, que publicou um vídeo para “manifestar repúdio” ao que foi apresentado pela Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí.

— Quero manifestar meu repúdio e indignação com a uma das alas que ridiculariza a igreja evangélica e o agronegócio. Usar verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inadmissível — disse. — A partir de agora, nós temos que olhar de uma forma diferente para o presidente Lula e seus ministros, que homologaram este ato — completou.

Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), disse que as fantasias foram “constrangedoras e inaceitáveis”. De acordo com o também pré-candidato à Presidência, o desfile retratou os evangélicos de forma caricata, e acusou a escola de samba de cometer preconceito religioso.

— Isso não é arte, é desrespeito. Você pode discordar de alguém, debater política, mas ridicularizar a fé de milhões de brasileiros é preconceito religioso — afirmou.

‘Liberdade artística’

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o PT afirmou que o enredo sobre o presidente Lula “é uma manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural”. Sobre as ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partido ressaltou que a escola de samba organizou o desfile de forma “autônoma”.

“Não configura propaganda eleitoral antecipada a mera exaltação de qualidades pessoais de agente político, sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral”, diz a nota.

Fonte: O Globo

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