Direitos da pessoa idosa ainda enfrentam desrespeito

Reprodução/ Depositphotos

Direitos da pessoa idosa ainda enfrentam desrespeito, apesar de marcos como o Estatuto da Pessoa Idosa, de 2003, e a Política Nacional do Idoso, de 1994. Duas décadas após a criação dessas normas, filas na saúde, calçadas hostis e solidão continuam a expor o abismo entre lei e prática.

Os documentos legais garantem atendimento prioritário, mobilidade segura e convivência comunitária. No entanto, o cotidiano mostra outro cenário: hospitais lotados, negligência no transporte público e isolamento crescente. Esse contraste evidencia que, sem execução efetiva, direito vira apenas promessa.

Caminhar pelas ruas é suficiente para perceber o problema. Rampas inexistentes, pisos irregulares e sinalização precária transformam trajetos simples em riscos de queda e hospitalização. Na saúde, a demora para exames e consultas nega o princípio de universalidade previsto em lei.

O envelhecimento populacional avança mais rápido do que a capacidade de adaptação do poder público. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil terá, em 2030, mais idosos que crianças. Ainda assim, faltam investimentos sustentáveis e planejamento de longo prazo para transformar direitos escritos em experiências vividas.

Especialistas ressaltam que criar novas normas não resolve o impasse. O desafio central é fazer com que os dispositivos já aprovados saiam do papel. Isso passa por orçamento dedicado, fiscalização constante e compromisso ético de gestores, profissionais e cidadãos.

A omissão, alertam analistas, também é forma de negação. Quando calçadas defeituosas permanecem iguais por anos ou quando a fila do ambulatório não anda, institucionaliza-se a desigualdade. Combater essa naturalização exige mobilização coletiva e disputa por prioridade nas agendas municipal, estadual e federal.

A decisão, enfim, é política: continuar celebrando leis em cerimônias protocolares ou garantir que cada artigo se converta em realidade diária para quem envelhece. Entre a promessa e a prática, está uma escolha que envolve toda a sociedade.

Fonte: Portal MinasInforma

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