Para os brasileiros, sentir-se amado é o que mais contribui para a sua felicidade (34%), de acordo com dados do Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede os níveis de felicidade da população. Na sequência, estão a saúde física e mental (31%), o relacionamento com a família e os filhos (29%), sentir-se em controle da própria vida (29%) e sentir que a sua vida tem um significado (27%).
As motivações para felicidade entre os brasileiros vão ao encontro do que diz Sonja Lyubomirsky, professora titular de psicologia na Universidade da Califórnia e uma das principais pesquisadoras sobre a ciência da felicidade há décadas. Em reportagem do The New York Times, reproduzida pelo Estadão, ela comentou que, ao ser questionada sobre “o segredo da felicidade”, costuma responder que tem a ver com conexão e relacionamentos; pensamento positivo, incluindo gratidão; e uma sensação de controle sobre a própria vida. Mas, se fosse preciso escolher apenas uma coisa, ela diria que é sentir-se amado.
Na pesquisa global da Ipsos, 80% da população brasileira se declara “feliz” ou “muito feliz” – o que representa um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao levantamento de 2025. A melhora na percepção de felicidade não se deu só no cenário brasileiro – neste ano, em 25 dos 29 países pesquisados, os cidadãos se mostraram mais felizes.
- No Brasil, 28% dos entrevistados se dizem muito felizes, 52% felizes, 15% não muito felizes e 5% nada felizes – a média global é 18%, 56%, 22% e 5%, respectivamente.
- A amostra de respondentes no nosso País é mais urbana, mais educada e/ou com maior renda do que a população brasileira como um todo.
Os países com a maior porcentagem de pessoas felizes são Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%).
O Brasil foi o País que mais citou a fé religiosa ou vida espiritual como um motivo que contribui para a felicidade (22%, frente a 10% da média global).
A pesquisa também mostra que, no geral, a felicidade começa alta na juventude, diminui por volta dos 50 anos e depois sobe novamente, atingindo seu pico após os 70 anos. No País, a soma daqueles que têm entre 50 e 74 anos e se dizem “muito felizes” e “bastante felizes” é de 82%, a maior média por faixa etária.
Os dados apresentam ainda uma correlação entre renda e felicidade. Pessoas com renda mais alta tendem a ser mais felizes (79%) do que as de renda mais baixa (67%).
“Vemos uma consistência nas gerações mais velhas exibindo maior grau de felicidade do que as mais jovens. Além disso, há uma ênfase duradoura na ‘família’, na ‘saúde’ e no ‘amor’ como principais motores de felicidade entre os brasileiros”, comenta Lucymara Andrade, diretora de pesquisas na Ipsos, que reuniu os dados.
E a infelicidade?
Se os relacionamentos pessoais e a saúde são o maior motor da felicidade, a infelicidade é causada, principalmente, por um fator externo: a situação financeira. No Brasil, esse foi o motivo citado por mais da metade (54%) dos entrevistados, em linha com a média global. Em seguida, aparecem a saúde mental e bem-estar (37%) e situação habitacional ou condições de vida (27%).
A situação financeira é citada também por todas as gerações em território nacional, na seguinte ordem: Baby Boomers (68%), Geração X (62%), Millennials (49%) e Geração Z (49%). “Não importa a sua idade, onde você mora ou quanto você ganha. Se você está infeliz, suas finanças pessoais são a causa mais provável dessa infelicidade”, afirma Lucymara.
O Ipsos Happiness Report 2026 destaca ainda que a percepção sobre a economia do país como fonte de infelicidade diminuiu em 2026. Em 18 dos 29 países, incluindo o Brasil, mais pessoas acreditam que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior, o que pode explicar parte do aumento geral da felicidade.
A Geração Z (nascidos aproximadamente entre metade dos anos 1990 e início dos anos 2010, hoje na faixa dos 13 aos 31 anos), por outro lado, é a que mais afirma estar “nada feliz” (6%).
Segundo Henrique Bueno, mestre em Psicologia Positiva pela University of East London e especialista em felicidade, os motivos para a infelicidade entre os mais jovens são complexos e multifatoriais, envolvendo desde mudanças culturais até transformações tecnológicas profundas. Mas um dos fatores centrais é o ambiente de alta comparação social promovido pelas redes sociais, destacou o especialista em reportagem recente do Estadão.
“Os jovens são mais cobrados, e se cobram mais, a performar segundo padrões pré-estabelecidos, o que se torna ainda mais tóxico nesse cenário digital, criando uma percepção de desconexão e solidão”, afirmou.
Essa geração também enfrenta um cenário econômico instável, com insegurança no emprego, aumento no custo de vida, dívidas estudantis e pressão por produtividade.
Faz sentido citar ainda o contexto de crise climática global, que pode alimentar sentimentos como ansiedade e desesperança. “Fenômenos como a ecoansiedade se somam a uma pressão existencial. O jovem de hoje está tentando definir quem é, se firmar profissionalmente e ainda lidar com um futuro incerto”, observou o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral.
Todas essas transformações vividas atualmente ocorrem em paralelo a um momento bastante peculiar da vida de um indivíduo – afinal, a juventude costumar ser “idealizada como uma época de energia e possibilidades”, comentou Bueno. “Mas também pode ser emocionalmente turbulenta”, acrescentou.
Como a felicidade e infelicidade foram avaliadas?
A pesquisa foi realizada em 29 países entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026. Foram entrevistados 23.268 adultos. No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente 1.000 indivíduos.
Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente.
Fonte: Estadão


