O velho ditado “você é o que você come” sugere que nossas escolhas alimentares determinam nossa saúde e longevidade. Agora, um estudo publicado na revista Science Advances trouxe dados específicos sobre isso, estimando quantos anos extras podem ser ganhos por meio de uma dieta saudável.
Para analisar os dados, Yanling Lv, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, juntamente com seus colegas, analisou informações de mais de 100 mil participantes do UK Biobank. Este é um banco de dados em larga escala que contém informações genéticas e de saúde detalhadas de meio milhão de voluntários. Os pesquisadores acompanharam os participantes do estudo por pouco mais de 10 anos, aplicando questionários regulares sobre o que haviam consumido nas últimas 24 horas.
Cinco melhores dietas
A equipe atribuiu a cada participante uma pontuação com base na semelhança de suas refeições com cinco dietas saudáveis validadas:
- Dieta mediterrânea (rica em gorduras saudáveis, peixe e vegetais),
- Dieta de redução do risco de diabetes (rica em fibras e com baixo teor de açúcar),
- Dieta DASH (abordagens dietéticas para interromper a hipertensão),
- Uma dieta à base de plantas,
- AHEI (índice alternativo de alimentação saudável).
Essas cinco dietas variam ligeiramente em sua abordagem, mas, em geral, “todas recomendam uma ingestão elevada e uma grande variedade de vegetais e frutas, todas recomendam o consumo de grãos integrais, todas recomendam fontes magras de proteína, e muitas delas são proteínas vegetarianas”, diz Clare Collins, da Universidade de Newcastle, na Austrália, que não participou do estudo, à New Scientist. Elas também recomendam evitar bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados.
Os pesquisadores descobriram que a alta ingestão de fibras apresentou a associação mais forte com o aumento da longevidade, enquanto o alto consumo de bebidas açucaradas apresentou a associação mais fraca. O consumo excessivo de açúcar pode levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 2 e outras doenças metabólicas, reduzindo assim a longevidade, escreveram os autores.
Collins acrescenta que a razão pela qual essas cinco dietas estão associadas a uma vida mais longa provavelmente reside no fato de todas elas envolverem o consumo de uma grande quantidade e variedade de plantas, que contêm fibras, vitaminas, minerais e fitonutrientes. Segundo ela, as fibras melhoram a função imunológica porque seu metabolismo no intestino libera ácidos graxos de cadeia curta com propriedades anti-inflamatórias.
Vitaminas e minerais são necessários para o funcionamento básico do organismo, enquanto os fitonutrientes são substâncias bioativas adicionais presentes nas plantas que podem potencializar funções como a melhora da sensibilidade à insulina e a ação em mecanismos anticancerígenos.
Além disso, os pesquisadores analisaram o DNA dos participantes em busca de 19 variantes genéticas associadas à longevidade.
Durante o período do estudo, 4.314 participantes faleceram. Ao analisar quem morreu e o que essas pessoas comiam, e comparar isso com seu risco genético, os pesquisadores conseguiram estimar quantos anos extras de vida uma pessoa poderia ganhar seguindo uma dieta mais saudável.
Quantos anos extras?
Os resultados são baseados em quanto tempo a mais uma pessoa de 45 anos poderia esperar viver seguindo uma das dietas saudáveis em comparação com aquelas com os hábitos alimentares menos saudáveis. Homens que seguiram a dieta de redução do risco de diabetes, por exemplo, ganharam 3 anos, enquanto as mulheres ganharam 1,7 ano. Esses números foram de 2,2 e 2,3 anos, respectivamente, para quem seguiu a dieta mediterrânea.
Para o AHEI (índice alternativo de alimentação saudável), estimou-se que os homens ganhariam 4,3 anos e as mulheres 3,2 anos. Aqueles que seguiram uma dieta à base de plantas tiveram ganhos estimados de 2,1 anos para homens e 1,9 anos para mulheres. E para a dieta DASH, os ganhos estimados foram de 1,9 anos para homens e 1,8 anos para mulheres.
É importante destacar que os cinco participantes mais saudáveis do estudo tendiam a ter boas pontuações alimentares, mas não pontuações perfeitas. Além disso, pessoas com variantes genéticas ligadas à redução da longevidade ainda tinham menor probabilidade de morrer se se alimentassem bem.
“Nossos resultados reforçam as vantagens de padrões alimentares saudáveis para prolongar a expectativa de vida, independentemente dos genes da longevidade”, comentou a equipe de pesquisa em seu artigo.
O estudo também descobriu que os alimentos com a associação mais forte com a longevidade foram grãos integrais, frutas e vegetais.
Fonte: O Globo


