Para além do ‘sinal de Frank’, conheça outras marcas que também podem indicar maior risco cardíaco

Xantelasma é uma pequena bolsa ou placa amarelada que costuma aparecer ao redor dos olhos, em especial na parte próxima ao nariz Foto: Soumen/Adobe Stock

Uma marca na orelha conhecida como sinal de Frank, associada em alguns estudos a um maior risco cardiológico, ganhou destaque na última semana após a morte do influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante. A marca, porém, não é o único sinal físico de que pode haver algo de errado com o coração.

Primeiro, vale reforçar que os sinais não fecham o diagnóstico de problemas cardíacos, mas servem de alerta, principalmente quando associado a fatores clássicos de risco, como hipertensão, colesterol alto, diabetes e tabagismo.

De acordo com Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da unidade de hipertensão arterial do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas de São Paulo, os sinais cutâneos mais importantes são os associados às dislipidemias, quadro caracterizado por níveis elevados de gordura (como o colesterol) no sangue.

Parecidos, existem os xantomas tendinosos, que, segundo Bortolotto, são nódulos firmes e indolores que se formam nos tendões, principalmente no tendão de Aquiles.

Um terceiro sinal é o arco corneano. Segundo Leandro Costa, cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é uma “opacidade branca ou cinza na periferia da córnea”, que geralmente aparece como um arco fino em volta da pupila. Ela é mais comum em idosos, grupo para o qual não significa grandes riscos. “Mas, quando presente em adultos jovens, pode indicar dislipidemia e risco cardiovascular”, diz o médico.

Esses três são os mais famosos, mas outros sinais também podem indicar problemas no coração. Segundo Costa, um deles é o chamado clubbing digital, quando as pontas dos dedos ficam mais arredondadas e aumentadas, o que pode estar associado a doenças cardíacas (adquiridas ou congênitas) ou infecções como a endocardite, que atinge o revestimento interno do coração.

Costa ainda chama atenção para a calvície frontoparietal ou no vértice. Na primeira, há uma perda de cabelo progressiva na linha frontal do cabelo e nas laterais (entradas). A linha vai recuando enquanto a testa “fica maior”. Já a calvície no vértice ocorre quando a perda de cabelo se concentra no topo do couro cabeludo.

“A perda de cabelo em padrões específicos está associada a maior risco de doença isquêmica do coração, independentemente da idade”, diz o cardiologista.

Já Sarah Fagundes Grobe, membro do comitê de comunicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), chama a atenção para a acantose nigricans, condição caracterizada pelo escurecimento e espessamento da pele em regiões de dobras, como pescoço e axilas. Segundo ela, o sinal costuma estar associado à resistência à insulina e à síndrome metabólica.

Algum dos sinais representa maior risco?

Segundo Bortolotto, entre os sinais descritos, os xantelasmas e arcos corneanos são os que têm evidências científicas mais robustas os associando a maior risco cardíaco.

Ainda assim, Costa ressalta que esses sinais precisam ser interpretados dentro do contexto clínico de cada paciente. “Eles não substituem exames, não confirmam diagnóstico e não devem ser usados de forma isolada. Seu valor está em sugerir risco, orientar a investigação e contribuir para a prevenção de eventos cardiovasculares”, pontua.

Riscos são maiores para determinados grupos?

Segundo Sarah, alguns sinais perdem especificidade com o envelhecimento, como o arco corneano, que é relativamente comum em idosos e pode não indicar doença. “Quando aparece em pessoas jovens, ganha importância porque sugere dislipidemia”, diz.

Ela destaca a relevância de alguns dos sinais em mulheres. De acordo com a médica, elas costumam manifestar doença cardiovascular mais tarde, e, em alguns casos, com sintomas diferentes. Dessa forma, “sinais precoces em mulheres jovens, especialmente com história familiar, devem ser valorizados, porque podem indicar risco subestimado”, adiciona.

Ela ainda explica que a visibilidade e a frequência de alguns achados cutâneos podem variar de acordo com a etnia. A acantose nigricans, por exemplo, é mais comum em pessoas de cor de pele mais escura. “Mas o risco cardiometabólico associado deve sempre ser avaliado pelo conjunto (cintura abdominal, glicemia, pressão, lipídios) e não apenas pela aparência da pele.”

Como diminuir o colesterol?

Muitos desses sinais, como citado, estão ligados ao colesterol alto. Por isso, é importante monitorar os níveis no sangue. A principal forma de controle é a alimentação: uma dieta equilibrada, rica em fibras, frutas, verduras e grãos integrais, e com baixo consumo de gorduras saturadas e trans, ajuda a manter o HDL (colesterol “bom”) em níveis adequados e a evitar o aumento do LDL (colesterol “ruim”).

Ao mesmo tempo, é necessário praticar atividade física regularmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática de pelo menos 150 minutos de exercícios por semana.

Outra recomendação é evitar o cigarro e, por fim, quando necessário, iniciar o tratamento medicamentoso para controlar os níveis de colesterol, sempre com orientação médica.

O que evitar quando o colesterol está alto?

  • Carnes processadas e embutidos (como salsicha, linguiça, bacon e salame);
  • Carnes vermelhas com gordura aparente e cortes com alto teor de gordura;
  • Leite integral e derivados integrais (como queijos amarelos, manteiga e creme de leite);
  • Frituras e alimentos ultraprocessados: além da gordura saturada, eles podem conter gordura trans, que é especialmente prejudicial ao perfil lipídico;
  • Doces industrializados (bolos, biscoitos recheados, sorvetes);
  • Óleos vegetais em excesso (mesmo os saudáveis).

Fonte: Estadão

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